O Amanhecer

Logo após acordar, forçadamente, as nove horas por Carlos, ele me falou que precisávamos voltar a Capital, tínhamos que ir ao apartamento dele e também disse, que não podíamos ficar por fora. Era “perigoso”.

Pouco mais tarde, algo em torno de dez horas da manhã, fomos a cidade… Entramos no carro de Carlos, um Corsa 2016, prateado, ele engatou a marcha ré e voltamos a estrada principal. Estava tudo muito monótono. Eu apenas observava, era estranho, a estrada que a pouco estava congestionada, cheia de veículos, de todos tipos, não havia mais nem um movimento. Expliquei a Carlos, que algo havia de errado, que alguma coisa estava errada.

-Carlos, tem alguma coisa acontecendo!

Estávamos já se aproximando da cidade, a visão melhorava a cada segundo. Os altos prédios da Capital já podiam ser vistos a nossa distância. Já entrando em zona urbana, estranhamos novamente, aquele cenário.

Carlos estava ou melhor, ficava, cada vez mais preocupado. Ele estava nervoso, logo não pode se conter e disse:

-É muito apavorante essa cena, não existe uma alma viva pelas ruas, não avisto ninguém e ainda vejo um AVIÃO caído em um Shopping.

Eu vendo aquele novamente, agora bem próximo, fiquei perplexo, quando de repente Carlos, tentando sintonizar o rádio do carro, capta uma mensagem de voz, uma advertência!

“Atenção! Atenção! Todos os civis do Estado do Rio Grande Do Sul, devem evacuar imediatamente para a cidade de Santa Maria, isso não é uma brincadeira!

Nosso País está em uma situação muito delicada. Estamos sendo ameaçados a sermos atacados por outras nações. A guerra foi declarada hoje, 20 de julho de 2022, ataques são muito previsíveis, não teremos como combater caso “potencias” desejem nos atacar, porem temos a esperança de que a discórdia e disputa de poder entre eles, se volte contra eles mesmos, soprando ao nosso favor.

Portanto fiquem firmes, não percam esperança e venham para o centro de refugiados do Sul, Santa Maria, Tenente, Lucas Machado, desligando.”

-Que droga! Eu não acredito…

Eu fiquei muito apavorado e disse:

-Cara, não pode ser, como isso pode estar acontecendo!

-Não sei, nem acredito que estamos em guerra.

Deste momento em diante fiquei enchendo Carlos com perguntas, e mais perguntas… Todas, sem respostas. Nesse mesmo momento, Carlos olha a frente e vê um animal, um cachorro, em nosso caminho e rapidamente gira a direção em uma manobra agressiva, mas de nada adianta.

Eu percebi que ele estava nervoso, então tentei assumir o volante do carro mas acabamos perdendo o controle e entrando em cheio dentro do shopping, arrombando a entrada do lugar, parando apenas quando uma coluna apareceu bem a nossa frente. Agradeço a Deus pelos “Airbags” funcionais!

Uma fumaça da cor cinza tomou conta do local, tentei me mover, mas minhas pernas doíam muito… Eu mesmo, quando desci, tropecei nos meus próprios pés e caí. Ainda no chão, tentei me localizar e quando olhei em volta fiquei chocado.

Observava a minha frente o mesmo avião comercial de ontem. Ele estava ao menos uns dez metros… Carlos, interrompendo meus pensamentos, fala, agitado.

-Que estrago, Meu Deus!

Eu olho para o lado e vejo algo como uma gaveta, cheia de dinheiro, porém Carlos, não deixou eu pegar nem uma simples notinha de cem Reais!

-Não pegue nada rapaz e vamos sair logo!

Aproveitamos para um descanso e já trocamos algumas ideias.

Estamos saindo agora, minhas pernas ainda doem mas pelo que Carlos disse seu apartamento fica alguns quarteirões daqui, facilitando um pouco. Precisamos ir, estamos perto as onze horas e o sol estará queimando logo… Tudo ocorrendo como esperado, a noite eu volto a escrever.